Thursday, March 10, 2005

Diário da Turma IV - Poesia



TOME NOTA

Segredos da Língua


A língua apresenta-se como um veículo fundamental de difusão de ideias e conteúdos; promove a interacção entre indivíduos e permite o acesso ao conhecimento, à organização do pensamento, à representação da realidade e à regulação de comportamentos.
Os diversos estudos efectuados pela linguística e pela psicolinguística apontam para uma relação entre as estruturas do desenvolvimento da linguagem e as estruturas do conhecimento. Este paralelismo justifica que o seu ensino/aprendizagem, mais do que cingir-se à disciplina de Língua Portuguesa, se desenvolva transversalmente em todas as outras áreas curriculares.
Ainda assim, as actuais orientações metodológicas da didáctica da língua concebem esta aprendizagem a partir da actividade verbal desenvolvida na sala de aula. A aula de Língua Portuguesa é encarada como um espaço de interacção linguística, pedagógica, intelectual, de observação e de intervenção, onde os conteúdos devem ser apresentados de uma forma viva e dinâmica e não como um conjunto de postulados dogmáticos. Daqui resulta uma concepção do papel do professor como agente motivador para estas aprendizagens.
Neste sentido, o professor deve salientar os estímulos que a obra literária possui no sentido de justificar a sua importância artística e cultural e o seu valor criativo, proceder a uma selecção dos textos de acordo com a idade, os interesses e as expectativas dos seus alunos, com o objectivo de formar leitores que compreendam e usufruam de um texto literário e potenciem o estabelecimento de relações sobre os seu conteúdo, o seu valor estético e a corrente literária onde se inserem.
Ainda que não haja consenso sobre a orientação do ensino/aprendizagem da língua – para o desenvolvimento de leitores “competentes” ou para o desenvolvimento de leitores “críticos” – o estímulo de capacidades criativas é sempre objecto de motivação para os alunos.
Neste sentido, importa referir algumas estratégias facilitadoras do ensino/aprendizagem da língua e da literatura, numa tentativa de colmatar hiatos existentes na forma como as crianças e os jovens percepcionam a leitura e, inevitavelmente, a escrita.
Partindo da afirmação de R. Barthes, segundo a qual «o texto literário não está acabado em si mesmo até que o leitor o transforme num objecto de significado, o qual será necessariamente plural», no ensino/aprendizagem da língua e da literatura há que considerar que:
- Um aluno, ao ler uma obra literária, precisa de se sentir suficientemente livre para a interpretar, comentar e avaliar, de acordo com a sua competência literária e com a sua própria sensibilidade;
- Porque a literatura não se aprende como uma mera memorização de obras, mas vivendo-se, o docente deve promover actividades que motivem os alunos a desfrutar da leitura de textos, que lhes permitam interpretá-los, compreendêlos e avaliá-los;
- A tarefa de comentar um texto permite aos alunos o reconhecimento de autores, do estilo das suas obras, os movimentos literários e as características próprias do uso da língua.
Além disso, mais do que à exposição pura da sua análise, o professor deve conduzir o aluno à argumentação das suas escolhas, com base em critérios pessoais.


Delfim Leão, Professor de Estudos Clássicos e poeta

“A poesia é para todos, desde que todos a procurem e respeitem”


É director do Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde é docente. Já publicou dois livros de poesia - "Prometeu" e "Grau Feminino da Poesia" - e, em breve, dará ao público leitor mais uma obra poética: "Dois dias e um serão no Inferno". É Delfim Leão, o poeta que nos fala da importância da poesia na actualidade:

Diário da Turma (DT) - Já publicou "Prometeu" e "Grau feminino da poesia". Como poeta contemporâneo, como vê o estudo dos poetas no ensino em Portugal?
Delfim Leão (DL) - A questão não se coloca apenas relativamente à poesia, mas ao peso que as grandes referências literárias devem ter no ensino da língua e na formação pessoal. Actualmente, há sectores de opinião que defendem a substituição de autores e textos paradigmáticos por discursos de uso mais corrente, em obediência a uma visão utilitarista da língua (de que a insistência em aprender línguas estrangeiras quase ao sair do berço é também um reflexo). Ora isso representa um claro empobrecimento da capacidade criativa da escrita e da sensibilidade artística.
DT - Que mais valia pode trazer a poesia a uma criança/um jovem/um adulto?
DL - Há poesia em todas as idades e para todas as idades. Aliás, um mesmo poema pode ser visitado em fases diferentes da vida. A grande vantagem da poesia consiste em verter num discurso geralmente pouco extenso grandes potencialidades simbólicas e hermenêuticas, que se traduzem numa enorme pluralidade de sentidos e de apropriações por parte do leitor. A poesia tem essa capacidade inata para desenvolver aleitura metafórica do mundo e a expressão mítica da realidade, embelezando a experiência de vida.
DT - Por que há quem pense que a poesia é apenas para alguns (quer na perspectiva de quem escreve, quer na de quem lê)?
DL - A poesia é para todos, desde que todos a procurem e respeitem, mas, como noutras áreas, nem todos conseguem atingir igual patamar de compreensão e de qualidade. O ditado que diz que "de médico, poeta e louco, todos nós temos um pouco" não deixa de ter a sua ponta de verdade, mas a excelência é, forçosamente, para raros apenas. A poesia - como todo o acto de criação artística - tem alguns contornos de "alienação", que não é inteiramente um processo volitivo e controlável.
DT - Como se fomenta o gosto (diria paixão) pela poesia?
DL - Essencialmente através da leitura. A atracção pela poesia é torrencial e espontânea em determinadas fases da vida (sobretudo na puberdade), mas esse primeiro ímpeto só se traduz em paixão duradoira se for alimentado por leituras regulares e conscientes (o que é muito diferente de obrigação metódica ou profissional).
DT - Como se aprende a escrever a verdadeira poesia?
DL - Não sei, da mesma forma que não sei se algum dia poderei escrevê la, mas seguramente com sentido de humildade e de autocrítica, e ainda com a dose certa e imponderável de mania ou loucura criativa.
DT - Quem são, em seu entender, os grandes vultos da poesia portuguesa?
DL - Os grandes vultos são os que vão escapando à voragem do tempo; actualmente, gosto sobretudo de Eugénio de Andrade e de Sophia.
DT - E, a nível de autore estrangeiros, quais são os seus poetas preferidos?
DL - Homero continua por ultrapassar, embora muitos outros lhe rendam homenagem, consciente ou não, por emulação ou fractura.
DT - Se fosse professor do ensino básico e secundário, que estratégias implementava para sensibilizar os alunos para a poesia?
DL - Gastaria menos tempo com o arsenal de recursos estilísticos e de técnicas de análise textual (que amiúde servem de muleta para disfarçar a falta de sensibilidade estética) e leria e daria a ler mais - e em voz alta!
DT - E para fomentar os hábitos de leitura em geral?
DL - Não há uma fórmula segura, mas falar com paixão de uma leitura feita pode estimular mais do que muitos discursos moralizadores.
DT - Quando publica o seu próximo livro de poesia? De que trata?
DL - Talvez dentro de um mês e há de chamar se "Dois dias e um serão no Inferno". Trata se de uma tentativa de viagem às profundezas negras e lodosas da sensibilidade, sem saber ainda se conseguirei emergir do fogo fátuo da ilusão…



QUEM CONTA UM CONTO


O Diário

A Verónica e os seus amiguinhos frequentavam a escola mas a sua vida era difícil. Levantavam-
se muito cedo, ainda toda a aldeia estava a dormir.
Era quase sempre noite quando saíam de casa, ouviam-se os galos cantar, anunciando a madrugada, e as janelas pareciam acender-se, lentamente, à medida que as famílias acordavam
para iniciarem um novo dia.
O pior era no Inverno, o frio e chuva gelavam os dedos e o nariz ficava vermelho. Apesar das dificuldades o sonho de ser professora tornava a caminhada mais fácil. Todos os dias Verónica tinha de caminhar alguns quilómetros, a pé, até à sua escolinha. Atravessava montes, vales e ribeiros até encontrar a sua amiga e colega de carteira com quem fazia o resto da caminhada. Depois era mais fácil, conversavam, e a distância parecia mais curta. Foi então que numa dessas viagens tiveram a ideia de fazer um diário da turma. Ficaram felicíssimas e quando a aula começou a Verónica pediu para falar.
- Tive a ideia de fazermos um diário da turma para podermos lembrar as coisas mais importantes que nos acontecem.
A professora ficou radiante e pediu aos seus alunos que falassem sobre a ideia, que trouxessem
novidades para que o diário fosse interessante.
A turma aderiu de imediato, e todos os alunos quiseram colaborar.
Ficou combinado que o Diário começava a partir do primeiro dia de Janeiro.
No final de cada aula todos os alunos tinham uma hora para escreverem no Diário. Nesse dia, a Verónica decidiu falar da alegria de ver nascer o sol e dos campos vestidos de branco. As suas palavras impressionaram a professora e os colegas e, por isso, entendi que devia divulgar o que ela escreveu:
Hoje é o primeiro dia do meu diário. Gostaria de escrever muitas coisas mas não é possível.
Não consigo escrever tudo o que penso, não é possível contar tudo o que vi e vejo quando venho para a escola. Acontecem tantas coisas no mesmo caminho que não consigo contar tudo. Durante a viagem tenho tempo para pensar muitas coisas, para imaginar como o meu cão dorme. Quando saio de casa vou sempre dar-lhe um beijo e digo-lhe para não ficar triste porque voltarei. Ele fica sempre triste, abre um olho e fica a olhar até eu fechar a porta do quintal. Durante algum tempo fico a pensar nisso, a pensar por que razão não posso ficar mais tempo na cama. Com tanto frio e chuva devia ser mais fácil ir à escola. Eu sei que sou eu que moro longe, mas eu durmo pouco e as pernas estão cansadas. Ando a pensar estas coisas mas eu também vejo os campos brancos e o nascer do sol. Às vezes, fico triste mas a minha tristeza é porque tenho sono e não posso ver tudo.
A professora ficou tão impressionada com as palavras de Verónica que decidiu ir buscá-la a casa todos os dias. Assim, ela podia descansar, dormir mais algumas horas, e já sem sono admirar a paisagem e sorrir sem tristeza nos lábios. No outro dia, a Verónica escreveu no Diário da Turma:
O meu cão foi acordar-me e eu senti uma grande alegria.
Obrigado professora. O Diário

Texto de António Vilhena

SABIA QUE...

- Foi na região asiática situada entre os rios Tigre e Eufrates, a Mesopotâmia, que aproximadamente no ano 4000 aC, surgiu o primeiro alfabeto, denominado pelos historiadores por alfabeto pictográfico. Através de desenhos simplificados - os pictogramas - era expressa a realidade daquele tempo.

- A escrita pictográfica provocou o surgimento da escrita fonética. Os povos primitivos sentiram a necessidade de registarem os seus pensamentos e sentimentos. Assim, comunicavam através dos símbolos gráficos que representavam animais, homens-bicho e rituais voltados para as suas culturas, revelando já uma representação do sistema de escrita.

- Pensa-se que a milenar escrita cuneiforme, constituída por gravações em pedras onde se registavam diversas situações da vida quotidiana derivou, provavelmente, de uma escrita pictográfica ainda mais antiga denominada warka, gravada em placas de argila encontradas no templo da cidade de Uruk, a sul da cidade de Bagdade.

- A escrita mnemónica é constituída quer por um amplo conjunto de cordões formados por fios de lãs de cores diversas, quer por colares de conchas justapostas cujas combinações formam figuras geométricas, chegando alguns deles a seis ou sete mil conchas. A escrita mnemónica distingue-se da escrita propriamente dita por servir apenas para representar figurativamente uma só ideia, um só conceito.

- A civilização egípcia utilizava ideogramas figurativos que deram origem à escrita hieroglífica, que significa “escrita gravada”, fundamental para a actividade religiosa. Este tipo de escrita baseia-se em desenhos - os hieróglifos - que representam objectos, figuras humanas, animais, plantas. Para escrever usavam o papiro, uma planta. Esta escrita foi evoluindo e, de uma maneira mais simplificada, surgiu a escrita hierática (usada pelos sacerdotes) e depois, outra ainda mais simplificada, usada pelos escribas, a escrita demótica.

- O alfabeto latino teve origem numa versão de um sistema de escrita modificado pelos gregos e anteriormente criado pelos fenícios, um povo semita originário da costa do mar vermelho, actual Líbano. O que levou os fenícios a criarem o alfabeto foi, a necessidade de controlar e facilitar o comércio. O alfabeto fenício possuía 22 letras.

- Os antigos gregos transformaram o esquema de escrita silábica dos fenícios, adaptando-o pelo uso de uma caracter escrito individual para cada som de consoante e vogal (acrescentando cinco vogais) da língua grega. Todos os alfabetos modernos descendem da versão grega.
Alfabeto é uma palavra de origem latina (alfabetum) constituída pelas duas primeiras letras do alfabeto grego, alfa e beta, correspondentes ao nosso a e b, respectivamente, significando o conjunto de letras usadas para escrever.


Thursday, February 10, 2005

Diário da turma III - Dia dos namorados



Thursday, January 13, 2005

Diário da Turma II - Física



TOME NOTA

Participe no nosso concurso

Utilize nas aulas o Diário de Coimbra


Num país em que as taxas de insucesso escolar nas disciplinas relacionadas com as ciências exactas atingem proporções, preocupantes, urge encontrar estratégias capazes de fomentar nos alunos curiosidade e vontade de aprender. Considerando os vários momentos históricos por que passou o ensino das ciências e os modelos que daí resultaram, os quais comportam tantas virtudes como limitações, importa, no
mundo actual, prestar particular atenção às múltiplas oportunidades de contacto com as ciências.
Desta forma, a nossa proposta passa pela utilização da Imprensa, em particular do Diário de Coimbra, como instrumento didáctico para algumas actividades de aprendizagem das ciências.
Como uma actividade de aprendizagem implica uma participação activa dos alunos e tem como objectivo facilitar a transmissão e compreensão de alguns conteúdos, a sua elaboração deve estar ciente dos objectivos que se propõe alcançar, bem como das características e interesses dos seus destinatários.
Um jornal pode ser um instrumento de ensino-aprendizagem amplamente aplicável aos mais diversos ramos do saber e, consequentemente, a várias áreas curriculares. Neste sentido, importa salientar algumas notícias cujos temas possam ser
aproveitados para abordar as ciências.
Veja alguns exemplos:
1. “Hoje o Tempo”- a rúbrica de informação meteorológica pode ser utilizada para a aprendizagem das diferentes escalas de temperatura (Celsius, Kelvin, Fahrenheit), do ciclo lunar e influência da Lua nas marés, dos fenómenos atmosféricos geradores dos diferentes estados do tempo.
2. Através da informação da extracção do “Totoloto”, “Loto2”, “Euromilhões” e “Lotaria”, podem estudar-se temas como Probabilidade e Combinatória.
3. Uma notícia da actualidade - o “Rali Barcelona-Dakar” – pode ser abordada para além dos resultados de cada etapa. Por que não pegar num destes artigos para prender Física? Partindo do exemplo dos automóveis e das viagens pelo deserto surgem conceitos como: Velocidade/velocidade média, aceleração/aceleração média, distância, vectores, inércia, atrito, movimento de um objecto sobre uma superfície sólida/sobre um plano inclinado, energia cinética, tempo de reacção, tempo de travagem e lei da conservação do movimento.
4. Artigos sobre fenómenos naturais podem ser utilizados para facilitar a aquisição de inúmeros conceitos de Geografia, das Ciências Naturais e da Astronomia: Sismos e os fenómenos que lhes dão origem, escalas de magnitude e intensidade; vulcões, sua estrutura e funcionamento, tipos de actividade vulcânica; explicação de eclipses solares e lunares, cometas e meteoritos, descoberta de novos planetas, novas estrelas, o fenómeno das estrelas cadentes; o aquecimento global, suas causas e consequências.

Concorra com trabalhos
Se utilizou o Diário de Coimbra nas aulas e os trabalhos que resultaram dessa utilização lhe parecem interessantes para todos, envie-os para o Diário da Turma, redacção, Rua Adriano Lucas, 3020-264 Coimbra. Pode habilitar-se a um prémio de incentivo à inovação educativa.

De Newton a Hawking
Grandes físicos, grandes inventos


No século XVII, a Europa era um continente cansado. O racionalismo de
Descartes aparecia como uma saída fácil e alastrava a sua influência. Se aparentemente a lógica e a razão dominavam, na realidade, a maioria dos homens continuava a guiar a sua conduta pelo espírito utilitário. Alguns cientistas foram, entretanto, abrindo novos horizontes

ISAAC NEWTON (1642-1727)

Físico e matemático inglês, Isaac Newton ficou conhecido pela formulação das três leis do movimento, consideradas os princípios da Física moderna, de onde resultou a formulação da Lei da Gravitação (Universal).
Completou o primeiro telescópio de refracção, que lhe permitiu observar os satélites
de Júpiter. Na sua “Nova Teoria sobre a Luz e a Cor” defendeu que a luz branca é composta por muitas cores, tendo chegado a este resultado com a utilização de um prisma óptico.

JAMES WATT (1736-1819)

Inventor escocês, James Watt transformou-se num dos grandes impulsionadores da Revolução Industrial, depois de ter desenvolvido e aperfeiçoado um aparelho construído por Thomas Newcomen, que utilizava o vapor de água para fazer girar
uma bomba e constituiu por mais de meio século a forma mais eficaz de bombear água.
Para que os compradores pudessem ter uma ideia da sua capacidade, a potência deste aparelho era expressa pelo número de cavalos que podia substituir. Assim nasceu a expressão ‘horse power’ (potência de cavalos).

CHRISTIAN JOHANN DOPPLER(1803-1853)

Christian Johann Doppler, físico austríaco, é conhecido por ter descoberto, em 1842, o “Efeito de Doppler”. Doppler observou que o comprimento de uma onda sonora produzida por uma fonte em movimento se altera. Quando a fonte se aproxima do observador, o comprimento de onda diminui; quando se afasta, o comprimento de onda aumenta. Anos mais tarde, Fizeau provou que este efeito era também válido
para a luz, reforçando a Teoria do Universo em Expansão.

ANTOINE HENRI BECQUEREL (1852-1908)

Em 1896, Antoine Henri Becquerel, “engenheiro de pontes e calçadas francês”, descobriu a radioactividade dos sais de Urânio.
Inventou o primeiro instrumento para detectar reacções nucleares, que mais tarde o casal Currie iria utilizar na descoberta do Polónio e do Rádio.
Recebeu, juntamente com o Marie e Pièrre Currie, em 1903, o Prémio Nobel da Física.

HEINRICH RUDOLF HERTZ (1857-1894)

Heinrich Rudolf Hertz, físico alemão, provou a existência e compreendeu as possibilidades de utilização das ondas electromagnéticas, tendo sido dado o seu nome à unidade de frequência. Descobriu o efeito fotoeléctrico em 1887, e foi o primeiro a radiodifundir e a receber ondas de rádio. Foram as suas descobertas que permitiram
a evolução da rádio, da televisão, da videoconferência.

MAX KARL ERNST LUDWIG PLANCK (1858-1947)

Galardoado com o Prémio Nobel da Física em 1918, Max Karl Ernst Ludwig Planck postulou que as trocas de energia entre estas partículas envolviam quantidades bem determinadas.
Supôs também que o átomo emite toda a sua radiação de uma só vez, fenómeno que denominou de quantum.
Considerava que em qualquer ponto do universo, a relação entre a energia contida e a frequência da radiação emitida deveria ser uma constante.

NIELS HENRIK DAVID BOHR 1885-1962)

Estudando o átomo de hidrogénio, o mais simples de todos, e partindo do modelo proposto por Planck, Niels Henrik David Bohr criou um novo modelo para descrever o
átomo. Concluiu que o electrão desse átomo só seria capaz de emitir energia quando se
deslocasse de uma órbita mais afastada do núcleo (mais energética) para uma mais próxima, menos energética.

WERNER KARL HEISENBERG(1901-1976)

Apoiando o governo de Hitler, Werner Karl Heisenberg foi nomeado director científico
das pesquisas nucleares alemãs. Este cientista alemão recebeu o prémio Nobel da Física em 1932. Ficou conhecido por ter enunciado o Princípio da Incerteza, segundo o
qual «se não é possível determinar exactamente todas condições iniciais de um sistema, então também não é possível prever o seu comportamento futuro. Os fenómenos
não podem ser previstos exactamente; só é possível estabelecer a probabilidade que algo aconteça».

STEPHEN HAWKING (1942-…)

Considerado como um dos físicos teóricos mais brilhantes desde Einstein, Stephen
Hawking nasceu a 8 de Janeiro de 1942, ano do aniversário da morte de Galileu. Incapaz de falar, paralisado por uma doença degenerativa incurável, este físico britânico comunica com o mundo através de um computador especial, fixado na sua
cadeira de rodas. Os seus trabalhos no campo da mecânica quântica e da relatividade, com vista à compreensão do Universo são entendidos como uma das maiores proezas intelectuais do séc. XX.

Albert Einstein
O físico prodígio


O Ano Internacional da Física surge no âmbito da comemoração centenária do “Ano Milagroso” da produção de Einstein, o físico que foi considerado um louco, acabou por revelar-se um prodígio e por se tornar num dos cientistas mais célebres

O físico alemão Albert Einstein nasceu em Ulm, em 1879, mas cedo se mudou com a sua família para Munique. Considerado um estudante medíocre, foi-se, no entanto, afirmando como um autodidacta na compreensão do Universo. O ano de 1905 acabou por ficar conhecido como o “Annus Mirabillis” da sua produção científica publicada num dos jornais mais relevantes da época - o “Anais da Física”.
A explicação do efeito fotoeléctrico, a descrição do movimento browniano, e a obra intitulada “Electrodinâmica dos Corpos em Movimento” foram os trabalhos publicados nesse ano que lançaram as bases da Teoria da Relatividade, deixando adivinhar a sua genealidade, mesmo aos olhos daqueles que o consideravam um louco.
Reconhecendo-lhe o mérito, a comunidade científica atribuiu-lhe o grau de Doutor pela Universidade de Zurique e, em 1921, distinguiu-o com o Prémio Nobel da Física. Evidenciando que, para além do físico, havia um homem preocupado com a Humanidade, Albert Einstein, então professor no Instituto de Física Kaiser Guilherme, mudou-se para os EUA quando Hitler subiu ao poder.

Teoria da Relatividade
Em clima de ruptura com os paradigmas do século XIX, Einstein fundamentou a Teoria da Relatividade Restrita na incompatibilidade entre o electromagnetismo maxweliano e a mecânica de Galileu. A teoria que pretendeu reconciliar o electromagnetismo e a mecânica clássica baseou-se em dois postulados: O princípio da relatividade (leis da Física são as mesmas em todos os sistemas de referência inerciais) e a constância da velocidade da luz propagada num espaço vazio. Este postulado gerou controvérsias, pois contrariava a experiência diária e as concepções em que os físicos acreditavam, tais como a noção de tempo e espaço.
Mais tarde, Einstein questionou se a medida da inércia de um corpo depende da quantidade de energia contida nesse corpo e apresentou a relação E=mc2, em que a energia era igual ao produto da massa pelo quadrado da velocidade da luz, o que demonstrava que o uso da energia atómica é possível.
Em 1915, Einstein apresentou a Teoria da Relatividade Geral e abandonou a noção newtoniana, pois considerou que não havia movimentos absolutos no Universo, apenas relativos. Defendeu também que o Universo não era plano e ainda que o tempo não é absoluto.


QUEM CONTA UM CONTO

O Coelhinho aventureiro


Quando chega a época das chuvas os riachos ficam cheios, a força das águas arrasta tudo à sua passagem. Alguns animais procuram abrigo mas muitos não sabem nadar.
Foi o que aconteceu ao Coelhinho cinzento. A sua toca ficou inundada e, por isso, procurou outra casinha. Já há alguns dias que estava sozinho, os seus pais tinham sido apanhados mas ele, porque era pequenino, conseguira esconder-se.
Agora, completamente só, queria atravessar o rio. Tinha medo, frio e fome. Sentia-se perdido no meio do bosque.
Apesar do seu pêlo se confundir com a cor da terra e da folhagem todos os cuidados eram poucos. Esperou pela noite para começar a sua caminhada até à margem, ouvia as corujas e os mochos em tons ameaçadores. Fez-se ao caminho entre as árvores, sempre atento, olhando em todas as direcções para se proteger dos cães caçadores.
O vento era forte e impedia-o de escutar os ruídos vindos da floresta, por isso, parava e escondia-se sempre que se sentia ameaçado. Durante a viagem até ao rio ia pensando como passaria para a outra margem mas não lhe ocorria qualquer ideia. Talvez essa boa ideia chegasse durante a caminhada até ao rio. Ao longe podia ouvir os lobos e as raposas mas o que mais assustava o coelhinho cinzento era o escuro.
Depois de percorrer uma grande distância, de atravessar montes e vales, finalmente, avistou o rio. O sol começava a nascer e os passarinhos procuravam o pequeno-almoço.
Aproximou-se e logo reparou como seria difícil passar para a outra margem. Começou a olhar e, de repente, viu um tronco de árvore aproximar-se. Teve a ideia de aproveitar a boleia. Ainda pensou se seria um crocodilo, mas logo compreendeu tratar-se do tronco de uma velha árvore.
Esperou que ele se aproximasse e quando estava bem perto de si perguntou-lhe:
- Posso ir consigo?
- Eu vou para muito longe – disse-lhe o tronco.
Depois de lhe contar o que lhe aconteceu, o coelhinho pediu-lhe para o levar até ao outro lado. O tronco torceu o nariz porque o coelhinho não sabia nadar. Mas depois de uma grande conversa o tronco disse-lhe:
- Salta para as minhas costas e segura-te.
Rapidamente as correntes fortes do rio arrastaram o tronco enquanto o coelhinho, apoiado nas suas patas traseiras, ia olhando para o nascer do Sol. Talvez tivesse pensado como seria a sua nova casa, como gostaria de ter vizinhos e amigos para brincar.
De repente, apercebeu-se que estavam a chegar, a viagem tinha sido rápida. O tronco aproximou-se da margem e o coelhinho cinzento saltou para terra firme. Mas antes, agradeceu:
- Muito obrigado e boa viagem.
Por sua vez, o tronco, com voz grossa, disse-lhe:
- Boa sorte. E não te esqueças de aprender a nadar.
O coelhinho rapidamente foi procurar uma nova casinha, o mais longe possível do rio, junto de uma rocha. Foi preciso fazer um grande buraco com duas entradas e duas saídas. Trabalhou muito durante o resto do dia e, quando a noite chegou, adormeceu cansado. Agora estava sozinho nesta aventura e tinha de aprender muitas coisas, principalmente, a nadar para ir visitar os seus amiguinhos.

Texto de António Vilhena

SABIA QUE...

* Ptolomeu, um astrónomo, filósofo e matemático grego, registou num calendário as horas do nascimento e do ocaso de várias estrelas. Além disso, em “Tetrabíblia” desenvolveu a mais completa doutrina astrológica da antiguidade, consolidando as regras básicas para a elaboração
dos horóscopos.

* Os meios de comunicação escrita resultam de uma invenção de Gutemberg por volta de 1440: A impressão por caracteres móveis.

* Se atribui a Blaise Pascal – matemático, físico e filósofo religioso francês – a invenção do primeiro calculador digital.

* Gabriel Fahreneit criou, em 1741, o primeiro termómetro de mercúrio.

* Anders Celsius construiu, em 1742, uma escala de temperatura em que os pontos de referência eram as temperaturas de solidificação (0ºC) e de ebulição (100ºC) da água, que se tornou quase universal.

* Alessandro Giuseppe Volta, um autodidacta italiano nascido em 1745, conseguiu gerar electricidade através de reacções químicas. Construiu um estranho aparelho
com moedas de cobre, discos de zinco e de feltro, banhados numa solução ácida, capaz de produzir continuamente um movimento de cargas eléctricas – a pilha.

* Foi Jaques Charles o primeiro a utilizar o hidrogénio para encher balões aerostáticos, que anteriormente apenas utilizavam ar quente. Ao efectivar esta descoberta com o seu irmão, no ano de 1783, conseguiu voos de mais de 1600 metros de altura.

* Thomas Alva Edison registou mais de 1300 invenções e colocou a si próprio o desafio de produzir luz a partir da electricidade. Em 1879, uma lâmpada constituída por filamentos de algodão parcialmente carbonizado instalado num bulbo de vidro, com vácuo, que aquecia com
a passagem da corrente eléctrica até ficar incandescente, brilhou por mais de 48 horas.

* Samuel Morse, físico e pintor norte-americano, concebeu em 1835 o primeiro sistema de telégrafo eléctrico e inventou o Código Morse para enviar mensagens.

* A 10 de Março de 1876, Alexander Graham Bell, enquanto estava sozinho no seu laboratório a experimentar um modelo de telefone que nunca tinha conseguido pôr a funcionar, derrubou acidentalmente uma pilha. Os fortes e corrosivos ácidos caíram sobre as suas roupas, ameaçando queimá-lo. Aflito, gritou para o seu assistente: «Sr. Watson, venha cá, preciso de si!». Qual não foi o espanto de ambos ao verificar que Watson conseguiu ouvir a mensagem através dos fios de telefone que ligavam os dois aposentos.

* Foi graças a uma “mulher-computador” – Henrietta Swan Leavitt – que Hubble conseguiu medir a distância entre as estrelas. Naquela época (início do séc. XX) apenas
era permitido às mulheres que se interessassem por astronomia estudar chapas fotográficas de estrelas e fazer computações, daí o nome de “computador”.


Thursday, December 09, 2004

Diário da Turma I - Natal



TOME NOTA


RISCOS & BENEFÍCIOS DA PUBLICIDADE


A publicidade é uma técnica comercial de difusão de massas, através da qual se transmite uma mensagem ao
consumidor, incentivando-o a comprar um determinado produto ou serviço. Se, por um lado, amplia o campo de liberdade de decisão, informando e contribuindo para um aumento da qualidade de vida, pode, por outro, criar modas, transformar condutas, promover mais hábitos e criar necessidades supérfluas.
Existe, por isso, uma crescente preocupação com os efeitos negativos que as campanhas publicitárias podem exercer sobre os consumidores. Entre esses efeitos destaca-se o facto de poder ser enganadora, transmitir a ideia de que só a compra do produto anunciado garante a aceitação social, poder promover a injustiça social e encarar as pessoas como simples consumidores.
Como a publicidade se tornou omnipresente, e porque dispõe de potencial tanto para prejudicar como para beneficiar, os especialistas entendem que é urgente ensinar às crianças em que consiste, como funciona e como se avaliam correctamente as formas publicitárias, incutindo-lhes ferramentas que os tornem mais críticos e capazes de tomar decisões autónomas e conscientes.

ANÚNCIOS DIRIGIDOS A CRIANÇAS E JOVENS
Os produtores de publicidade, pretendendo consolidar hábitos de consumo em crianças, para garantir clientes
fiéis quando adultos, bombardeiam-nas com mensagens publicitárias, onde frequentemente se alia a realidade à
fantasia, como forma de aumentar a venda do produto.
Assim, acentuam os especialistas, é preciso criar “anticorpos” que tornem mais resistentes aos potenciais efeitos
negativos da publicidade.
Assim, os pais e os professores são aconselhados a estabelecer um diálogo reflexivo com as crianças e jovens, de forma a fomentar uma consciência crítica em relação ao que lhes é transmitido, dirigindo o debate com base no jogo do que pediu como prenda de Natal.
Os alunos podem ser questionados sobre que informação concreta apresenta o anúncio? Qual a ideia chave do
anúncio? Que tipo de valores estão presentes? Que tipo de felicidade é apresentada? Em que medida é aceitável e justa a sociedade apresentada? O que um anúncio nunca diz da sociedade actual? Que ideias nunca aparecem
representadas? Que tipo de pessoas nunca é protagonista da publicidade? A situação em que o anúncio aparece é real?


PARA UM NATAL SEGURO A DECO ACONSELHA


- Escolha os brinquedos de acordo com a idade da criança
- Leia com atenção os avisos e instruções do brinquedo
- Verifique se o brinquedo não tem arestas cortantes e pontas que possam magoar
- Evite brinquedos com peças pequenas, enchimentos e fios compridos que possam asfixiar a criança
- Faça uma revisão periódica aos brinquedos e deite fora aqueles que já estão danificados
- Não deixe que a criança leve para a cama brinquedos que possam causar asfixia


CONCURSO “CARTA AO PAI NATAL”

O Diário da Turma, que agora se inicia como suplemento do Diário de Coimbra, promove, até ao Natal, um concurso intitulado “Carta ao Pai Natal”. Entre todas as cartas recebidas será escolhida a mais original que receberá um presente surpresa.
Assim, pode aproveitar esta oportunidade para escrever ao Pai Natal, dizer o que gostava de receber neste Natal ou, simplesmente, o que gostava que fosse diferente na sua família, na sua cidade, em Portugal ou no mundo. Pode mesmo dar asas à sua imaginação e ilustrar a carta.
Uma vez concluída, a carta deve ser enviada para Diário de Coimbra, Suplemento Diário da Turma, Rua Adriano Lucas, 3020-264 Coimbra ou através do endereço electrónico diariodaturma@diariocoimbra.pt. A carta mais original será publicada em Janeiro, na próxima edição do Diário da Turma.

MÉTODO DE JOÃO DE DEUS

“CARTILHA MATERNAL” ENSINA A LER


Se a leitura é uma capacidade fundamental para a vida actual, todos temos de aprender a ler. Já assim pensava João de Deus em meados do século XIX. Considerava então que podia «ser homem sem saber retórica» mas que não podia ser verdadeiramente homem sem saber ler. Numa época em que 95% da população portuguesa
era analfabeta, criou a “Cartilha Maternal”, um método que facilita o ensino e a aprendizagem da leitura.
O sistema da “Cartilha Maternal”, como explicou o seu criador João de Deus, «funda-se na língua viva: não apresenta os seis ou oito abecedários do costume, senão um, do tipo mais frequente, e não todo, mas por partes, indo logo combinando esses elementos conhecidos em palavras que se digam, que se ouçam, que se
entendam, que se expliquem».
Assim, em vez do «principiante apurar a paciência numa repetição néscia», familiariza-se com «as letras e os seus valores na leitura animada de palavras inteligíveis». O poeta e pedagogo João de Deus dedicou a “Cartilha
Maternal” às mães, a fim de evitar às crianças aquilo que considerava como «o flagelo da cartilha tradicional». Na sua “Cartilha Maternal” apresenta um método de ensino da leitura e da escrita «prático», com uma orientação predominantemente fonética (correspondência letra-som).

Tradição centenária

Em cada uma das lições dever-se-á ensinar apenas um fonema (som da letra) e uma ou várias das suas representações escritas (grafema), obedecendo sempre à sequência que propõe. Começando pelas vogais e ditongos, seguem-se as consoantes que tenham (também) uma “correspondência unívoca” com os seus grafemas: v, f, t, d, b, p e l.
As vogais e os ditongos que podem representar mais do que um som, dependendo da localização nas palavras, precedem as consoantes com as mesmas características da “representação equívoca”: q, c, g, r, z, s e x. Seguem-se as vogais nasais que aparecem na terminação da terceira pessoa do singular e, por último, o h e os dígrafos em que participa: h, lh, nh e ch. Acrescente-se ainda que, no caso das letras que se podem ler de diversas formas, isto é, com “representação equívoca”, as crianças aprendem a nomeá-las através dos sons que representam. Por exemplo, à letra S chamam “sêzêch”. Ainda que, pareça um método um tanto complicado, a sua tradição centenária prova que as crianças conseguem aprender a ler e a escrever facilmente.

LENDA DE SÃO NICOLAU

Nascido no seio de uma família abastada no final do século III, em Patara, uma cidade costeira da actual Turquia, São Nicolau é hoje conhecido como o patrono das crianças, dos marinheiros, da Grécia e da Rússia e o seu símbolo são três bolas de ouro.
Tendo, desde a mais tenra infância mostrado sinais de profunda religiosidade, cedo foi ordenado sacerdote. São
muitos os relatos da sua generosidade, que fazia questão de manter anónima para que ninguém se sentisse na obrigação de lhe agradecer.
Conta a lenda que, ao ter conhecimento que um comerciante falido pretendia usar a beleza das três filhas para ganhar dinheiro, decidiu atirar pela janela, à noite e às escondidas, um saco de ouro para cada filha usar como dote, podendo, desta forma, arranjar um bom marido.
E assim fez, primeiro para a filha mais velha, depois para a filha do meio. Quando chegou a vez da filha mais nova, o pobre homem estava já à espera do Santo, prostrando-se diante dele em agradecimento por ter salvo a sua família de tal destino.
Após o casamento das filhas, diz-se que o comerciante conseguiu recuperar os seus negócios, e, em sinal de agradecimento pelo seu benfeitor, começou a ajudar quem mais precisava.

Milhares de milagres atribuídos a S. Nicolau

Quando os seus pais morreram, o tio de São Nicolau aconselhou-o a fazer uma viagem pela Palestina e pelo
Egipto para que espalhasse a sua bondade pelos que mais precisavam. Ouve-se dizer que, durante esta viagem, houve uma tempestade acalmada milagrosamente pelas preces de São Nicolau.
Ao regressar da viagem, decidiu não viver mais em Patara, mudando-se para Mira, onde viveu na pobreza, depois de ter distribuído toda a sua herança pelos mais pobres… Quando, anos mais tarde, o bispo de Mira morreu, foi São Nicolau que ocupou o seu lugar, em mais um episódio carregado de misticismo.
Como os anciãos da cidade não conseguiam decidir quem iria suceder ao bispo falecido, decidiram colocar a questão nas mãos de Deus. Foi assim que, nessa mesma noite, o mais velho ancião teve um sonho no qual Deus lhe revelou que o próximo bispo seria o primeiro homem a entrar na igreja, no dia seguinte. Porque São Nicolau tinha o hábito de se levantar cedo, acabou por ser ele a entrar primeiro na igreja, sendo logo de seguida indicado bispo.
Morreu muito velhinho em meados do séc. IV. Diz-se ainda que, dois séculos mais tarde, o santuário onde foi sepultado se transformou numa nascente. Milhares de milagres foram citados como sendo seus, tanto em vida
como mesmo depois de morto, o que fez dele um dos santos mais populares entre os cristãos de todo o mundo, que mandaram construir inúmeras igrejas em seu nome.


ESTE MÊS É FERIADO

Dia 1 - Restauração da Independência de Portugal

A 1 de Dezembro de 1640, inúmeros fidalgos invadiram o Palácio Real, assassinando o Secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos, que governava a Nação sob a ordem do Conde-Duque de Olivares. Miguel de Vasconcelos conseguia extorquir somas consideráveis a Portugal para financiar as guerras europeias do rei de Espanha.
Após a morte do Secretário de Estado, o palácio foi saqueado por uma grande massa popular, proclamando-se a ascensão do novo rei D. João IV, sendo derrubado todo o regime filipino vigente, restaurando-se assim, a independência nacional.
Logo após o golpe, foi designado um governo provisório, para resolver os problemas urgentes, enquanto se esperava pela chegada do novo rei de Portugal que ainda se encontrava no palácio de Vila Viçosa. O novo rei enfrentou inúmeros problemas, para que lhe fosse reconhecida a independência de Portugal e o seu título real, bem como para, arranjar alianças fortes para superar os ataques travados com a Europa e posteriormente enfrentar as investidas espanholas.

Dia 8 – Imaculada Conceição padroeira de Portugal


O dogma da Imaculada Conceição foi definido e proclamado pelo papa Pio IX, a 8 de Dezembro de 1854, pela bula Ineffabilis. Em Portugal foi oficializada a instituição da ordem militar de Nossa Senhora da Conceição por D. João VI, que expressa o culto do dogma católico, que consolida formalmente a pureza da mãe de Jesus, aquela que concebeu o filho de Deus e foi isenta do pecado original.

Dia 25 – Natal


Apesar da Bíblia não mencionar a data do nascimento de Jesus, no século IV alguns oficiais da Igreja decidiram
institucionalizar o seu nascimento com um feriado. Em 354, o Papa Libério institucionalizou a Festa da Natividade a 25 de Dezembro, numa tentativa de absorver as tradições pagãs do festival da Saturnália, cristianizando-as. A partir de então, celebra-se o Natal a 25 de Dezembro.






QUEM CONTA UM CONTO

A FORMIGA BARRIGUDA


Na cidade dos animais todos iam à escola. Mas esta era diferente da escola dos meninos. Ficava num
jardim onde havia um grande lago com peixes de todas as cores.
Na turma dos animais pequeninos havia uma borboleta, uma cigarra, uma abelha, um caracol e uma formiga. A professora, que era uma jovem andorinha, gostava que todos chegassem a horas.
Normalmente, a borboleta era a primeira, pois podia voar e, por isso, chegava primeiro. Depois chegava a cigarra. Quase sempre cantava para mostrar que sabia muitas cantigas e, também, porque gostava de aprender. Depois era a vez da abelha, batia as asas e olhava as flores do jardim.
Logo atrás vinha o caracol, muito preguiçoso, com a cabeça levantada e muito simpático. Finalmente, a formiga barriguda muito vaidosa e sem pressa para se sentar. As carteiras eram muito especiais: a borboleta sentava-se numa rosa vermelha, a cigarra numa pedra, a abelha preferia um ramo de árvore, o caracol gostava de estar nas couves e, imagine-se, a formiga andava por todo o lado.
Todos os dias a professora muito bonita e de voz suave, falava com a formiga barriguda porque ela adormecia
nas aulas.
A desculpa era todos os dias a mesma:
– Senhora Professora, adormeci a pensar no Natal.
Todos achavam estranho, até porque o Natal ainda estava muito longe. Mas a Professora, intrigada, um belo dia decidiu pedir aos seus alunos que fizessem um desenho ao Pai Natal. Assim, podia saber o que a formiga barriguda pensava.
Na turma dos animais pequeninos todos começaram a desenhar. A borboleta fez um pássaro, a cigarra preferiu um grande sol à janela, a abelha uma flor, o caracol uma nuvem, enquanto a formiga barriguda desenhou uma bicicleta.
A professora prometeu enviar os desenhos ao Pai Natal. O tempo passou e na noite de Natal todos esperaram pelos presentes. A formiga barriguda não queria acreditar quando viu um grande embrulho. Aproximou-se e ficou muito admirada.
Tinha recebido uma bicicleta. Nessa noite a formiga barriguda não dormiu nada com tanta alegria.
No dia seguinte decidiu ir de bicicleta visitar a borboleta, a cigarra, a abelha e o caracol que estavam no jardim
da bicharada.
Afinal, o Pai Natal também é amigo da formiga barriguda.

Texto de António Vilhena



SABIA QUE...

Uma das mais famosas músicas de Natal – “Noite de Paz, Noite de Amor” – foi composta devido a uma avaria no órgão da Igreja de São Nicolau, numa aldeia austríaca dois dias antes do Natal de 1818? Como deixou de ter órgão, o padre desta localidade viu-se obrigado a “inventar” um música nova que pudesse ser acompanhada por guitarra.

A tradição de pendurar peúgas na lareira está relacionada com uma lenda de São Nicolau. Segundo contam as
histórias, quando o santo atirou o primeiro saco de ouro para dentro da casa do comerciante, este foi cair dentro
de uma meia que secava à lareira.

As renas do Pai Natal têm nome. Chamam-se Dasher, Dancer, Prancer, Vixent, Comet, Cupid, Donder, Blitzer e, por último, a que lidera o trenó por iluminar o caminho com o seu narizinho luminoso e vermelho: Rudolfo.

Para os druídas celtas, o azevinho que hoje utilizamos para fazer enfeites de Natal era considerado uma planta sagrada.

Quem criou o primeiro postal de Natal foi John Horsley no ano de 1843. Charles Dickens foi o homem que ajudou a criar no nosso imaginário a magia do Natal. Dickens escreveu, entre 1843 e 1868, maravilhosos contos de Natal, como “O Natal do Sr. Scrooge”, “O Cântico de Natal” e “Os Sinos do Ano novo”, lidos e ouvidos por sucessivas gerações.


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