Thursday, December 09, 2004

Diário da Turma I - Natal



TOME NOTA


RISCOS & BENEFÍCIOS DA PUBLICIDADE


A publicidade é uma técnica comercial de difusão de massas, através da qual se transmite uma mensagem ao
consumidor, incentivando-o a comprar um determinado produto ou serviço. Se, por um lado, amplia o campo de liberdade de decisão, informando e contribuindo para um aumento da qualidade de vida, pode, por outro, criar modas, transformar condutas, promover mais hábitos e criar necessidades supérfluas.
Existe, por isso, uma crescente preocupação com os efeitos negativos que as campanhas publicitárias podem exercer sobre os consumidores. Entre esses efeitos destaca-se o facto de poder ser enganadora, transmitir a ideia de que só a compra do produto anunciado garante a aceitação social, poder promover a injustiça social e encarar as pessoas como simples consumidores.
Como a publicidade se tornou omnipresente, e porque dispõe de potencial tanto para prejudicar como para beneficiar, os especialistas entendem que é urgente ensinar às crianças em que consiste, como funciona e como se avaliam correctamente as formas publicitárias, incutindo-lhes ferramentas que os tornem mais críticos e capazes de tomar decisões autónomas e conscientes.

ANÚNCIOS DIRIGIDOS A CRIANÇAS E JOVENS
Os produtores de publicidade, pretendendo consolidar hábitos de consumo em crianças, para garantir clientes
fiéis quando adultos, bombardeiam-nas com mensagens publicitárias, onde frequentemente se alia a realidade à
fantasia, como forma de aumentar a venda do produto.
Assim, acentuam os especialistas, é preciso criar “anticorpos” que tornem mais resistentes aos potenciais efeitos
negativos da publicidade.
Assim, os pais e os professores são aconselhados a estabelecer um diálogo reflexivo com as crianças e jovens, de forma a fomentar uma consciência crítica em relação ao que lhes é transmitido, dirigindo o debate com base no jogo do que pediu como prenda de Natal.
Os alunos podem ser questionados sobre que informação concreta apresenta o anúncio? Qual a ideia chave do
anúncio? Que tipo de valores estão presentes? Que tipo de felicidade é apresentada? Em que medida é aceitável e justa a sociedade apresentada? O que um anúncio nunca diz da sociedade actual? Que ideias nunca aparecem
representadas? Que tipo de pessoas nunca é protagonista da publicidade? A situação em que o anúncio aparece é real?


PARA UM NATAL SEGURO A DECO ACONSELHA


- Escolha os brinquedos de acordo com a idade da criança
- Leia com atenção os avisos e instruções do brinquedo
- Verifique se o brinquedo não tem arestas cortantes e pontas que possam magoar
- Evite brinquedos com peças pequenas, enchimentos e fios compridos que possam asfixiar a criança
- Faça uma revisão periódica aos brinquedos e deite fora aqueles que já estão danificados
- Não deixe que a criança leve para a cama brinquedos que possam causar asfixia


CONCURSO “CARTA AO PAI NATAL”

O Diário da Turma, que agora se inicia como suplemento do Diário de Coimbra, promove, até ao Natal, um concurso intitulado “Carta ao Pai Natal”. Entre todas as cartas recebidas será escolhida a mais original que receberá um presente surpresa.
Assim, pode aproveitar esta oportunidade para escrever ao Pai Natal, dizer o que gostava de receber neste Natal ou, simplesmente, o que gostava que fosse diferente na sua família, na sua cidade, em Portugal ou no mundo. Pode mesmo dar asas à sua imaginação e ilustrar a carta.
Uma vez concluída, a carta deve ser enviada para Diário de Coimbra, Suplemento Diário da Turma, Rua Adriano Lucas, 3020-264 Coimbra ou através do endereço electrónico diariodaturma@diariocoimbra.pt. A carta mais original será publicada em Janeiro, na próxima edição do Diário da Turma.

MÉTODO DE JOÃO DE DEUS

“CARTILHA MATERNAL” ENSINA A LER


Se a leitura é uma capacidade fundamental para a vida actual, todos temos de aprender a ler. Já assim pensava João de Deus em meados do século XIX. Considerava então que podia «ser homem sem saber retórica» mas que não podia ser verdadeiramente homem sem saber ler. Numa época em que 95% da população portuguesa
era analfabeta, criou a “Cartilha Maternal”, um método que facilita o ensino e a aprendizagem da leitura.
O sistema da “Cartilha Maternal”, como explicou o seu criador João de Deus, «funda-se na língua viva: não apresenta os seis ou oito abecedários do costume, senão um, do tipo mais frequente, e não todo, mas por partes, indo logo combinando esses elementos conhecidos em palavras que se digam, que se ouçam, que se
entendam, que se expliquem».
Assim, em vez do «principiante apurar a paciência numa repetição néscia», familiariza-se com «as letras e os seus valores na leitura animada de palavras inteligíveis». O poeta e pedagogo João de Deus dedicou a “Cartilha
Maternal” às mães, a fim de evitar às crianças aquilo que considerava como «o flagelo da cartilha tradicional». Na sua “Cartilha Maternal” apresenta um método de ensino da leitura e da escrita «prático», com uma orientação predominantemente fonética (correspondência letra-som).

Tradição centenária

Em cada uma das lições dever-se-á ensinar apenas um fonema (som da letra) e uma ou várias das suas representações escritas (grafema), obedecendo sempre à sequência que propõe. Começando pelas vogais e ditongos, seguem-se as consoantes que tenham (também) uma “correspondência unívoca” com os seus grafemas: v, f, t, d, b, p e l.
As vogais e os ditongos que podem representar mais do que um som, dependendo da localização nas palavras, precedem as consoantes com as mesmas características da “representação equívoca”: q, c, g, r, z, s e x. Seguem-se as vogais nasais que aparecem na terminação da terceira pessoa do singular e, por último, o h e os dígrafos em que participa: h, lh, nh e ch. Acrescente-se ainda que, no caso das letras que se podem ler de diversas formas, isto é, com “representação equívoca”, as crianças aprendem a nomeá-las através dos sons que representam. Por exemplo, à letra S chamam “sêzêch”. Ainda que, pareça um método um tanto complicado, a sua tradição centenária prova que as crianças conseguem aprender a ler e a escrever facilmente.

LENDA DE SÃO NICOLAU

Nascido no seio de uma família abastada no final do século III, em Patara, uma cidade costeira da actual Turquia, São Nicolau é hoje conhecido como o patrono das crianças, dos marinheiros, da Grécia e da Rússia e o seu símbolo são três bolas de ouro.
Tendo, desde a mais tenra infância mostrado sinais de profunda religiosidade, cedo foi ordenado sacerdote. São
muitos os relatos da sua generosidade, que fazia questão de manter anónima para que ninguém se sentisse na obrigação de lhe agradecer.
Conta a lenda que, ao ter conhecimento que um comerciante falido pretendia usar a beleza das três filhas para ganhar dinheiro, decidiu atirar pela janela, à noite e às escondidas, um saco de ouro para cada filha usar como dote, podendo, desta forma, arranjar um bom marido.
E assim fez, primeiro para a filha mais velha, depois para a filha do meio. Quando chegou a vez da filha mais nova, o pobre homem estava já à espera do Santo, prostrando-se diante dele em agradecimento por ter salvo a sua família de tal destino.
Após o casamento das filhas, diz-se que o comerciante conseguiu recuperar os seus negócios, e, em sinal de agradecimento pelo seu benfeitor, começou a ajudar quem mais precisava.

Milhares de milagres atribuídos a S. Nicolau

Quando os seus pais morreram, o tio de São Nicolau aconselhou-o a fazer uma viagem pela Palestina e pelo
Egipto para que espalhasse a sua bondade pelos que mais precisavam. Ouve-se dizer que, durante esta viagem, houve uma tempestade acalmada milagrosamente pelas preces de São Nicolau.
Ao regressar da viagem, decidiu não viver mais em Patara, mudando-se para Mira, onde viveu na pobreza, depois de ter distribuído toda a sua herança pelos mais pobres… Quando, anos mais tarde, o bispo de Mira morreu, foi São Nicolau que ocupou o seu lugar, em mais um episódio carregado de misticismo.
Como os anciãos da cidade não conseguiam decidir quem iria suceder ao bispo falecido, decidiram colocar a questão nas mãos de Deus. Foi assim que, nessa mesma noite, o mais velho ancião teve um sonho no qual Deus lhe revelou que o próximo bispo seria o primeiro homem a entrar na igreja, no dia seguinte. Porque São Nicolau tinha o hábito de se levantar cedo, acabou por ser ele a entrar primeiro na igreja, sendo logo de seguida indicado bispo.
Morreu muito velhinho em meados do séc. IV. Diz-se ainda que, dois séculos mais tarde, o santuário onde foi sepultado se transformou numa nascente. Milhares de milagres foram citados como sendo seus, tanto em vida
como mesmo depois de morto, o que fez dele um dos santos mais populares entre os cristãos de todo o mundo, que mandaram construir inúmeras igrejas em seu nome.


ESTE MÊS É FERIADO

Dia 1 - Restauração da Independência de Portugal

A 1 de Dezembro de 1640, inúmeros fidalgos invadiram o Palácio Real, assassinando o Secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos, que governava a Nação sob a ordem do Conde-Duque de Olivares. Miguel de Vasconcelos conseguia extorquir somas consideráveis a Portugal para financiar as guerras europeias do rei de Espanha.
Após a morte do Secretário de Estado, o palácio foi saqueado por uma grande massa popular, proclamando-se a ascensão do novo rei D. João IV, sendo derrubado todo o regime filipino vigente, restaurando-se assim, a independência nacional.
Logo após o golpe, foi designado um governo provisório, para resolver os problemas urgentes, enquanto se esperava pela chegada do novo rei de Portugal que ainda se encontrava no palácio de Vila Viçosa. O novo rei enfrentou inúmeros problemas, para que lhe fosse reconhecida a independência de Portugal e o seu título real, bem como para, arranjar alianças fortes para superar os ataques travados com a Europa e posteriormente enfrentar as investidas espanholas.

Dia 8 – Imaculada Conceição padroeira de Portugal


O dogma da Imaculada Conceição foi definido e proclamado pelo papa Pio IX, a 8 de Dezembro de 1854, pela bula Ineffabilis. Em Portugal foi oficializada a instituição da ordem militar de Nossa Senhora da Conceição por D. João VI, que expressa o culto do dogma católico, que consolida formalmente a pureza da mãe de Jesus, aquela que concebeu o filho de Deus e foi isenta do pecado original.

Dia 25 – Natal


Apesar da Bíblia não mencionar a data do nascimento de Jesus, no século IV alguns oficiais da Igreja decidiram
institucionalizar o seu nascimento com um feriado. Em 354, o Papa Libério institucionalizou a Festa da Natividade a 25 de Dezembro, numa tentativa de absorver as tradições pagãs do festival da Saturnália, cristianizando-as. A partir de então, celebra-se o Natal a 25 de Dezembro.






QUEM CONTA UM CONTO

A FORMIGA BARRIGUDA


Na cidade dos animais todos iam à escola. Mas esta era diferente da escola dos meninos. Ficava num
jardim onde havia um grande lago com peixes de todas as cores.
Na turma dos animais pequeninos havia uma borboleta, uma cigarra, uma abelha, um caracol e uma formiga. A professora, que era uma jovem andorinha, gostava que todos chegassem a horas.
Normalmente, a borboleta era a primeira, pois podia voar e, por isso, chegava primeiro. Depois chegava a cigarra. Quase sempre cantava para mostrar que sabia muitas cantigas e, também, porque gostava de aprender. Depois era a vez da abelha, batia as asas e olhava as flores do jardim.
Logo atrás vinha o caracol, muito preguiçoso, com a cabeça levantada e muito simpático. Finalmente, a formiga barriguda muito vaidosa e sem pressa para se sentar. As carteiras eram muito especiais: a borboleta sentava-se numa rosa vermelha, a cigarra numa pedra, a abelha preferia um ramo de árvore, o caracol gostava de estar nas couves e, imagine-se, a formiga andava por todo o lado.
Todos os dias a professora muito bonita e de voz suave, falava com a formiga barriguda porque ela adormecia
nas aulas.
A desculpa era todos os dias a mesma:
– Senhora Professora, adormeci a pensar no Natal.
Todos achavam estranho, até porque o Natal ainda estava muito longe. Mas a Professora, intrigada, um belo dia decidiu pedir aos seus alunos que fizessem um desenho ao Pai Natal. Assim, podia saber o que a formiga barriguda pensava.
Na turma dos animais pequeninos todos começaram a desenhar. A borboleta fez um pássaro, a cigarra preferiu um grande sol à janela, a abelha uma flor, o caracol uma nuvem, enquanto a formiga barriguda desenhou uma bicicleta.
A professora prometeu enviar os desenhos ao Pai Natal. O tempo passou e na noite de Natal todos esperaram pelos presentes. A formiga barriguda não queria acreditar quando viu um grande embrulho. Aproximou-se e ficou muito admirada.
Tinha recebido uma bicicleta. Nessa noite a formiga barriguda não dormiu nada com tanta alegria.
No dia seguinte decidiu ir de bicicleta visitar a borboleta, a cigarra, a abelha e o caracol que estavam no jardim
da bicharada.
Afinal, o Pai Natal também é amigo da formiga barriguda.

Texto de António Vilhena



SABIA QUE...

Uma das mais famosas músicas de Natal – “Noite de Paz, Noite de Amor” – foi composta devido a uma avaria no órgão da Igreja de São Nicolau, numa aldeia austríaca dois dias antes do Natal de 1818? Como deixou de ter órgão, o padre desta localidade viu-se obrigado a “inventar” um música nova que pudesse ser acompanhada por guitarra.

A tradição de pendurar peúgas na lareira está relacionada com uma lenda de São Nicolau. Segundo contam as
histórias, quando o santo atirou o primeiro saco de ouro para dentro da casa do comerciante, este foi cair dentro
de uma meia que secava à lareira.

As renas do Pai Natal têm nome. Chamam-se Dasher, Dancer, Prancer, Vixent, Comet, Cupid, Donder, Blitzer e, por último, a que lidera o trenó por iluminar o caminho com o seu narizinho luminoso e vermelho: Rudolfo.

Para os druídas celtas, o azevinho que hoje utilizamos para fazer enfeites de Natal era considerado uma planta sagrada.

Quem criou o primeiro postal de Natal foi John Horsley no ano de 1843. Charles Dickens foi o homem que ajudou a criar no nosso imaginário a magia do Natal. Dickens escreveu, entre 1843 e 1868, maravilhosos contos de Natal, como “O Natal do Sr. Scrooge”, “O Cântico de Natal” e “Os Sinos do Ano novo”, lidos e ouvidos por sucessivas gerações.


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